sábado, 9 de abril de 2011
Para onde vai a economia com os improvisos do Governo?
Alguns questionam a falta de uma atitude firme do governo em conter a valorização do Real diante do dólar, e que o Banco Central fez o certo em não elevar a Selic fortemente e que os cortes no orçamento podem reduzir os investimentos públicos e gastos sociais.
Primeiro temos que esclarecer que o corte de 50 bilhões anunciado foi feito sobre um orçamento aprovado e que já previa gastos para 2011 maiores que o gastos efetivos do Governo Federal em 2010. Ou seja, mesmo depois do corte, o governo ainda gastará mais do que em 2010. Qualquer dúvida é só reler o comentário do Mansueto de Almeida.
Não há corte real, pois o governo ainda gastará mais do que em 2010. A redução do gasto público só seria real se o montante do gasto fosse menor que em 2010. E por isto muitos se mostram céticos sobre estes cortes.
E um gasto elevado do Governo afeta tanto a taxa de juros quanto a taxa de câmbio, pois força uma elevação da Selic e uma apreciação do câmbio.
O resultado da tentativa do Governo em a valorização do Real e evitar que ele caia abaixo de R$ 1,60 é uma maior pressão inflacionária. Quando o câmbio flutua livremente, a elevação dos preços das commodities é atenuado pela valorização do câmbio, mas quando o governo evita que o câmbio caia abaixo de R$ 1,60, alguém tem que se mover para fazer o ajuste entre os preços e isto é feito pela inflação.
Hoje o que há é uma inconsistência entre as políticas do governo e uma falta de certeza para onde elas nos levarão.
Mas o Governo começa a perceber as contradições das suas medidas, tando que o Real chegou a cair a R$ 1,58.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Os brasileiros e o livre mercado
Mais pode ser lido no site da revista The Economist.
terça-feira, 5 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Zumbis econômicos
(Ph.D. por Stanford, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio)
11 de março, 2011
É extremamente perigosa a ideia de que o controle da inflação possa ser obtido sem afetar o crescimento do PIB.
A inovação cênica mais impressionante do desfile das escolas de samba no Rio foi a comissão de frente da Unidos da Tijuca, com seus mortos-vivos cujas cabeças despencavam bruscamente. Também na economia, ideias que pareciam enterradas voltam a empolgar alguns economistas. Para o bem de nossa economia, cabe reenviar tais zumbis econômicos de volta às sepulturas. Vamos a eles.
Tornou-se freqüente o argumento de que, no governo Dilma Roussef, o Banco Central (BC) teria passado a fazer uso de um conjunto mais diversificado de instrumentos, ditos macroprudenciais, para combater a inflação. Disso decorreria necessidade de menor elevação dos juros. Na realidade, tais instrumentos têm sido largamente usados na economia brasileira, há décadas, para conter a expansão do crédito. O principal deles, os recolhimentos compulsórios ao BC, atinge, no Brasil, provavelmente os níveis mais elevados no mundo há muitos anos. Prova disso é que o combate à crise pôde contar com a liberação de cerca de R$100 bilhões de compulsórios dos bancos, que muito ajudaram a restituir a liquidez. Os aumentos dos compulsórios em 2010, aliados a outras medidas que restringiram o crescimento do crédito, não constituem novidade entre nós. Após o Plano Real, quando a demanda agregada crescia perigosamente, o BC impôs grande aumento de compulsórios, instituindo até um inusitado compulsório sobre empréstimos bancários.
Temos, sim, larga experiência no uso de tais medidas administrativas no controle inflacionário. O problema é que, não obstante o auxílio que a liberação dos compulsórios possa ter prestado ao combate à crise em 2008, não é claro que o uso dos compulsórios para controle do crédito e da inflação seja uma experiência exitosa no Brasil (ou em outros países). A verdade é que os compulsórios foram aqui elevados em
momentos em que a demanda agregada explodia e não se queria deixar todo o trabalho aos juros. Passada a explosão da demanda, a redução dos compulsórios foi sempre muito gradual, permanecendo seus níveis anormalmente elevados quando comparados a padrões mundiais.
Embora muito menos citados do que juros altos, compulsórios elevados, constituem, ao lado daqueles, a base da política monetária extremamente apertada necessária para manter a inflação sob controle desde o Plano Real, simplesmente porque a política fiscal tem sido tradicionalmente muito frouxa. Os bons macroeconomistas brasileiros estão roucos de afirmar a necessidade de mudar o mix de políticas macroeconômicas para se ter uma política fiscal menos expansionista e uma política monetária mais frouxa.
Entretanto, nosso sistema político parece incapaz de gerar coalizões que consigam conter de forma duradoura a expansão de gastos públicos.
Também tem sido propalada a ideia de que, a partir da mudança no comando do BC, teria passado a haver melhor coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Esta é uma avaliação pouco razoável, uma vez que a mudança se deu no comando do BC, que não responde pela política fiscal, a origem do problema. Como se sabe, manteve-se o mesmo Ministro da Fazenda que levou adiante a equivocada e eleitoreira expansão
fiscal em 2010. Por que, então, a pretensa coordenação de agora deveria conduzir a uma melhor política fiscal?
As últimas medidas fiscais mostram que a essência de tal expansionismo não mudou.
Em que pese a boa iniciativa do corte de despesas públicas deste ano, que precisa ainda ser complementada por um plano plurianual de controle do crescimento de gastos, o governo continua a expandir a demanda agregada com sucessivos e altamente onerosos aportes a bancos públicos, ao BNDES, sobretudo. Assim, é difícil que o uso de pretensos novos instrumentos de política monetária, ou o ilusório aprimoramento da
coordenação BC-Fazenda, venha a permitir a redução permanente dos juros reais na economia brasileira sem colocar em risco o cumprimento da meta para a inflação.
Outro zumbi que afronta a economia é a presunção de que a convergência da inflação para a meta possa ser feita sem afetar o crescimento do PIB. A menos de imprevisíveis choques favoráveis, como a improvável queda dos preços de commodities, a redução da inflação acarretará, sim, custos de PIB e de desemprego. Se o desenho da política macroeconômica (monetária, fiscal e cambial) procurar elidir tais custos, é muito
provável que a inflação não venha a convergir para a meta tão cedo.
Nunca é demais repetir. É fundamental que os condutores de nossa política econômica tenham claro que a volta da inflação à meta (4,5%) em 2012, dados o equivocado expansionismo fiscal de 2010 e os choques de custos que vêm do exterior, requererá, sim, que o PIB cresça aquém de seu crescimento potencial. Isto significa que o crescimento deste ano não poderá chegar a 4% e que serão necessárias decisões duras,
como cortar despesas do governo na carne e interromper de vez os repasses aos bancos públicos.
Em suma, é ilusório achar que passamos agora a dispor de novo instrumental de política econômica que nos permitiria obter, sem custos, os benefícios de baixa inflação com crescimento. Tal discurso tem um risco muito conhecido, o da alta inflação. O Brasil ainda não completou a maioridade quanto ao controle inflacionário, duramente conquistado apenas em 1994. A reação dos agentes econômicos brasileiros à alta da
inflação tende a ser muito maior do que a que se observa nos países que não viveram a hiperinflação. A ata do Copom, divulgada ontem, volta, apropriadamente, a mencionar a inércia inflacionária, e a advertir, indiretamente, contra a indexação de salários, como a regra adotada para a correção do salário mínimo (“um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos nominais de salários incompatíveis com o
crescimento da produtividade”). Não convém brincar, é melhor deixar o zumbi da inflação bem enterrado.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Em dez anos, receita tributária sobe quase o dobro da inflação
Nos últimos dez anos --de janeiro de 2001 a dezembro de 2010--, a arrecadação tributária no país cresceu quase o dobro da inflação e mais de 16% acima do PIB.
Nesses 120 meses, a receita tributária nos três níveis de governo --federal, estadual e municipal-- subiu 264,49%, ante 89,81% do IPCA (o índice oficial de inflação) e 212,32% do PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país).
Para o leitor entender os números, é como se houvesse uma corrida. Os preços teriam "corrido" 189,81 metros em dez anos, o PIB, 312,32 metros e a arrecadação tributária, 364,49 metros. Resultado: o maior avanço pesou mais no bolso dos contribuintes. Pode-se dizer que, nesse comparativo, a receita tributária "correu" mais 92% do que os preços e mais 16,7% do que o PIB.
Com base nesses dados, o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) divulgou ontem o Ivat (Índice de Variação da Arrecadação Tributária) no país. Segundo o instituto, trata-se de um método de medição econômica que apura percentualmente a variação da receita tributária nos três níveis de governo. Assim, o Ivat mede os avanços mensal e anual dos valores recolhidos aos cofres públicos.
Os dados do IBPT mostram bem o quanto os governos avançaram no bolso dos contribuintes na primeira década deste século.
Segundo o coordenador de Estudos do IBPT e idealizador do projeto, Gilberto Luiz do Amaral, "a partir do Ivat é possível discutir o termo inflação tributária", que, no caso, foi de 92% na década passada.
O IBPT define "inflação tributária" como o crescimento da arrecadação de tributos que extrapola o percentual de variação do IPCA calculado e divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
'CONSCIÊNCIA'
Para Amaral, a discussão permite "que a sociedade tenha consciência de que os governos são exímios geradores da inflação econômica, pois os tributos integram o cálculo do PIB tanto pela ótica da produção como da demanda e da renda". Segundo Amaral, a consequência disso é que "o crescimento da arrecadação tributária acima dos índices de inflação e do próprio crescimento do PIB país provoca mais inflação".
O estudo do IBPT mostra que a voracidade tributária foi tão expressiva na década que, em 120 meses, em apenas cinco deles, todos em 2009 --fevereiro, junho, julho, agosto e setembro--, a variação da arrecadação tributária foi negativa.
Por ano, a arrecadação tributária apresentou a maior alta em 2002, com 20,25%, seguida de 2010, com 17,8%, e de 2004, com 17,56%. A menor alta ocorreu em 2009 (o ano da crise econômica), com 3,72%.



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